Hoje quero compartilhar com vocês, uma reflexão, sobre a matéria que li na revista Época Negócios (outubro/2018), sobre Linus Torvalds, engenheiro de software, criador do projeto Linux e Git e conhecido mundialmente.

A chamada da matéria, que me chamou a atenção, era “Pausa para Gestão de Raiva – Linus Torvalds, criador do Linux, tira uma folga para aprender a administrar emoções – e gera bate-boca intenso na comunidade de tecnologia”.

Como atuo diretamente no desenvolvimento das habilidades comportamentais, resolvi entender o que aconteceu.

Após décadas de interações feitas com uma imensa rede, ele costumava usar letras maiúsculas e, muitas vezes, palavras de baixo calão, diante de sua indignação frente a diversos programadores da comunidade, inclusive brasileiros.

Na lista pública de reclamações do Kernel, encontramos:

“Peço desculpas por ter aplicado as correções enviadas pelo Andrew [Morton] antes de liberar a versão 4.8, pois essas porcarias estão causando problemas.”

“Desculpem-me por estar furioso, mas é que as pessoas continuam insistindo nessa porcaria nos últimos 15 anos.”

“Por que raios insistem em fazer isso?”

“CALE A P**** DA SUA BOCA.”

“Não quero nunca mais ouvir esse tipo de lixo e idiotice.”

Vi, também, as mensagens dos integrantes da rede e, bem… vou compartilhar um texto que resume um pouco do que acontecia por lá, segundo as palavras do usuário “SeuVava”:
“O nível de humilhação pública que muita gente passou na lista oficial do Kernel é ridículo. O próprio Linus Torvalds admitiu isso e se afastou para procurar ajuda psicológica para aprender a como tratar pessoas sem ser um babaca estúpido, que humilha os outros publicamente por discordâncias a respeito de que linguagens de programação são boas ou ruins.

O Linus Torvalds é um cara genial que fez contribuições inestimáveis para o mundo? Sim. E também é um babaca ridículo que criou, incentivou e cultivou padrões inaceitáveis de comportamento na comunidade que ele criou. Ele mesmo admitiu isso.

E quer saber? Meritocracia não é incompatível com um código de conduta decente. Se você não é capaz de falar sobre código sem ofender, humilhar e tratar como lixo as pessoas, então sei lá se o seu mérito é tão grande assim”.

O fato é que, no dia 16 de setembro, ele publicou uma carta aberta à comunidade, se desculpando e informando que se ausentará já que, até o momento, era um membro bem ativo na comunidade.

Parte da mensagem, reproduzo abaixo:
“(…)

Esta é a minha realidade. Eu não sou o tipo de pessoa emocionalmente empática e provavelmente isso não é uma grande surpresa para ninguém. Ao menos pra mim. O fato que eu interpretei mal as pessoas e não percebi (por anos) o quão mal eu julguei uma situação e contribuí para um ambiente não profissional não é legal.

Esta semana, pessoas na nossa comunidade me confrontaram sobre minha vida de não entendimento de emoções. Meus ataques infantis em e-mails que foram tanto não profissionais quanto desnecessários. Especialmente as vezes que eu tornei isso pessoal. Na minha busca por melhorias, isso fazia sentido pra mim. Eu sei que isso não é OK e estou profundamente arrependido.

O que está acima é basicamente um jeito mais longo para chegar a uma dolorosa confirmação pessoal de que eu preciso mudar algumas coisas em meu comportamento, e quero me desculpar às pessoas cujo meu comportamento pessoal magoou e possivelmente as afastou totalmente do desenvolvimento do kernel.
Eu estou tirando um tempo para conseguir alguma ajuda em como entender as emoções das pessoas e as responder apropriadamente.

(…)”

Este é mais um exemplo, de um gênio TÉCNICO da computação que, felizmente, percebe que precisa melhorar o seu comportamento.

Querendo ou não, sempre esperamos que um grande líder saiba lidar com os seus sentimentos (inteligência emocional), e com os das pessoas (empatia). Isso pode mudar tudo… pode mudar o rumo de seus projetos.

Eu acredito que pessoas mais felizes, são mais engajadas, não é à toa que muitas corporações investem no Quociente de Felicidade (QF). Acredito que um ambiente mais tranquilo, mesmo que virtual, sem agressões, propicia o avanço dos projetos, dos times e, principalmente, das pessoas.

Se você quer desenvolver empatia e inteligência emocional, continue por aqui pois, em breve, teremos novidades.

Um grande abraço,
Marcilene Scantamburlo.

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